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Quinta-feira, Dezembro 03, 2009

Rezar o Advento

Uma vez que esta semana foi mesmo impossível escrever, deixo só a sugestão da Associação de Pais do Colégio São João de Brito para rezar o Advento em Família.
Aqui fica o link para o "Livrinho". É só clicar e rezar...!

Quinta-feira, Novembro 26, 2009

À noite antes de adormecer, só peço a Deus que me leve.

Quando penso na experiência da vida ou quando falo sobre ela, apercebo-me que devo fazê-lo com delicadeza e respeito. De facto, a vida não é fácil e quando falamos dela com alegria e entusiasmo, pode acontecer que acentuemos ainda mais a tristeza de algumas pessoas, daquelas que sofrem. Sinto que devo falar da esperança, mas de uma esperança encarnada e acontecida dentro da experiência de dor de cada pessoa. Caso contrário, a minha esperança poderia causar desesperança na medida em que se pode provocar no outro, além do que já sofre, um sentimento de incapacidade por não viver a esperança.

De entre várias coisas, há uma que tenho pedido a Deus: ser sensível à pessoa que sofre. Neste sentido, não faz falta qualquer voluntarismo salvífico que faça desaparecer de vez o motivo da dor porque muitas vezes isto não está ao nosso alcance. Eu por mais boa vontade que tenha não consigo resolver uma doença bipolar de uma pessoa. Devo, sim, responder ao apelo que uma pessoa lamenta quando já não suporta a dor. Acompanhar e receber sem qualquer juízo tudo aquilo que sente e vive.

E é preciso muito cuidado quando se fala a quem sofre.
Melhor, melhor seria que não falássemos.

Nestes últimos dias passaram-me pela frente situações limite. Uma, vista numa entrevista televisiva; a outra, ouvida pelo telefone.
Na entrevista, ele dizia que à noite antes de adormecer, só pedia a Deus que o levasse. Na verdade, quando ouvia esta pessoa pedi um enorme silêncio. Um silêncio de quem prefere ficar calado para saber ouvir este desejo de fim. Que acontecerá naquele segredo escondido do coração humano? Como poderei passar ao lado de uma história que já não encontra razões?
Pelo telefone, soube da notícia de um amigo que desistira, definitivamente, de viver.

Isto estremeceu a atenção pela vida do outro. Que acontece no coração humano, muito para além daquilo que o nosso olhar possa captar ou do que possamos imaginar? Quem vejo quando olho ou quando me cruzo com alguém num elevador ou numas escadas rolantes? Com que olhar me aproximo? Como afecto os outros?

E nestas situações de acompanhar, queria o silêncio para não perturbar o coração do outro. Espero e peço a delicadeza de estar e olhar a beleza de cada um, em especial por aqueles que já não esperam da vida outra coisa se não a espera de uma morte.

Terça-feira, Novembro 24, 2009

Deslocado

Não sou um grande leitor. E talvez por isso me escapem muitos dos mistérios humanos. Apesar de tudo, há livros que ficam comigo e me vão acompanhando. Às vezes são apenas uma ou duas frases que ficam connosco e connosco vão viajando.
Recordo então duas frases (esperando que a memória não me traia) de um livro que li há mais de 11 anos. O livro chama-se Anatomia da errância e é de Bruce Chatwin. As frases falam da casa de quem está sempre a partir.
"A casa é um bom sítio para guardar o chapéu". "A nossa casa é onde estão os nossos amigos."

É para mim claro que o ter guardado comigo estas frases não pode ser desligado do momento que vivia. Às voltas com o curso de Jornalismo e outras muitas actividades, vivia com intensidade o meu processo de discernimento que me acabou por conduzir à Companhia de Jesus. Na altura, soube que aquelas duas frases também eram sobre a minha vida. E a verdade é que em 11 anos já lá vão 5 cidades e 6 casas.... sem falar do nomadismo dos tempos de Verão em que acabo por perder a conta aos sítios por onde passo.

A vida tem-se feito por isso de chegadas e mergulhos profundos em novas realidades e de partidas que implicam queimar a estrada para não ter a tentação de voltar para trás. No meio de tudo isto, fica por vezes a sensação de viver permanentemente deslocado. De viver esforçando-me por fazer de cada nova cidade a minha casa e de partir logo depois de o conseguir.

Há já algumas semanas, numa Missa em que estavam muitos dos estudantes internacionais da minha faculdade, a homilia tocou neste tema. Foi um momento profundo e para mim sublime. O padre falava da nossa condição de deslocados. A verdade é que muitos de nós vivemos fora do nosso país e outros longe do seu estado de origem. Falou também da teologia que nos descoloca. Naturalmente falou de Jesus, do seu caminho para Jerusalém lugar para onde orientou toda a sua caminhada e lugar onde não foi acolhido. Falou da condição de deslocado que Jesus também viveu. Afinal, "o filho do homem não tem onde reclinar a cabeça." Disse finalmente que Jesus é o nosso lugar, que o corpo de Cristo é o nosso lugar.

É incómodo ser nómada. É incómodo estudar Teologia sentindo mais desconforto que esclarecimento. Preciso de aceitar que nem sempre me posso sentir em casa... E nesses momentos ouvir alguém dizer que "Jesus é o nosso lugar", a nossa casa, é mais do que um simples conforto. É um convite a viver permanentemente deslocado de mim para poder colocar-me em Cristo.

Há muito de salto e de abismo neste convite... mas mesmo quando me acobardo sei que ele é irresistível, sei que por muito que troque os meus passos o horizonte não muda de lugar.

Sei que partilho este desconforto com muito outros. Sei que há desconfortos tão profundos, tão amargos e sofridos que nem me atrevo a evocá-los porque a comparação seria uma ofensa a quem os sente na pele e no coração.
Lembro-me também dos meus amigos que este ano entraram na aventura da universidade, lembro-me daqueles que passam por momentos de ruptura ou mudança, de aqueles que vivem a experiência de se sentirem deslocados da família, dos amigos, da vida.
E com todos os que se sintam deslocados partilho o excerto de uma oração de Teilhard de Chardin, sj:

Dá ao Senhor o benefício de acreditares
que a sua mão te conduz
e aceita a ansiedade de te sentires
em suspenso e incompleto.

Segunda-feira, Novembro 23, 2009

até já!

Ainda hoje (provavelmente já amanhã, terça-feira, em Portugal) passo por aqui para deixar um post!

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Haverá tempo para ler o post desta semana?

O pack desta quinta-feira terá dois menús, o post (a que já estamos mais que habituados) e uma sugestão musical. Mas, antes disto, uma pequeníssima informação.
Há dias atrás, lançámos a pergunta sobre o formato de publicação de textos neste blog. Pela caixa de comentários chegou-nos o desejo de manter a regularidade das segundas e quintas-feiras; mas através da votação, apareceu o desejo contrário: maior espontaneidade.
Depois de conversarmos sobre o assunto, pareceu-nos que por agora a melhor opção seria acrescentar maior espontaneidade ao blog sem que isso pudesse retirar a presença desejável para os dois dias da semana. Portanto, já sabem sempre que possível, estaremos por cá para abrir e fechar a semana e ao mesmo tempo, haverá oportunidade para escrever fora de horas, quando a necessidade e a inspiração assim nos pedirem.
Sem mais demora, avanço para o artigo desta semana. :)
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Nestes últimos dias tenho me dado conta, que os dias gozam de uma especial rotina. Não é necessário entrar em pormenores para descrevê-los, mas pode acontecer a sensação de alguma repetição. Chamo-lhe quinta-feira, mas se dissesse segunda-feira, a diferença seria pouca. Foram quase, quase iguais.
A rotina, que muitas vezes não depende de nós alterá-la, pode dar-nos alguma segurança por sabermos que estamos a fazer aquilo que deve ser feito ou que estamos a cumprir os compromissos posto numa agenda de trabalho. Claro que há variantes, mas parece que no essencial houve repetição.
Tenho especial admiração pelas pessoas que vivem fora do tempo. Eu explico. Não me refiro agora àquelas pessoas meio lunáticas que vivem ausentes e distraídas. Por elas também vai o meu apreço sincero. Digo-o com verdade. Mas, agora refiro-me àquelas pessoas que vivem disponíveis. Que são capazes de mexer nos seus programas e nas suas ideias, para estar e viver por dentro momentos de diferença e de novidade que podem trazer consigo a mudança de um hábito ou de um costume. Falo de uma alteração no horário, mas também na alteração de uma ideia que uma pessoa sempre trouxe consigo.
Perguntando-me pelo segredo das pessoas capazes de disponibilidade, acredito que em grande parte se justifica por serem pessoas de oração. De facto, rezar é a experiência do tempo perdido. É perder o meu tempo, sair fora do ritmo produtivo e capitalista do dia, onde a alma está no segredo dos negócios, para entrar na ausência do tempo e da acção. Na oração, o tempo não produz nada, nem deve produzir. E penso que é por isto que se reza pouco. Parece-me que a falta de tempo não chega a ser razão. E portanto, ela apresenta-se de tal maneira como tempo perdido e ineficaz que não resistimos em regressar à nossa agenda, ao lugar da produção.

É curiosamente, a oração que é capaz de encher uma agenda, mas pondo cada tarefa no seu lugar.

Talvez fique este exercício de rezar com Deus, diante da nossa agenda.

Sugestão musical

Entretanto, deixo-vos no final desta semana com um música que dispõe bem, deste nova banda. Bom proveito!

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Trazer à memória, cumprir o futuro

Foto Patrick Chauvel-SYGMA


Passam hoje vinte anos que seis Jesuítas, uma trabalhadora da sua residência e a sua filha foram assassinados em El Salvador na Universidade Centro Americana (UCA). O desproporcionado número de forças mobilizadas para este assassinato espelha a irracionalidade de um acto que não pode ser isolado de um contexto de violência em que tantos outros foram martirizados.

A arma destes mártires foi a palavra, o estudo e ensino, foi a capacidade que tiveram de "olhar para além dos muros da universidade"(Rodolfo Cardenal, sj) e de servirem os injustiçados e oprimidos. Fieis aos crucificados do seu povo levaram a sua entrega até às últimas consequências. A sua morte acabou por ser determinante para o processo de paz.

Nenhuma palavra é fiel à grandeza de quem soube fazer da Teologia e da Universidade verdadeiro serviço aos mais pobres. Mas podemos sempre, ao trazer à memória o testemunho destes mártires, agradecer a importância da Teologia da Libertação e aproveitar para nos perguntarmos a quem queremos servir. Particularmente no dia em que passam 20 anos em que uma universidade católica foi palco de um martírio, podemos perguntar a quem como educadores, professores, investigadores, alunos, queremos servir. O que vemos para lá dos muros das nossas escolas, universidades, casas e instituições?


"A Universidade Católica, a par de qualquer outra Universidade, está inserida na sociedade humana. Para a realização do seu serviço à Igreja, ela é solicitada - sempre no âmbito da competência que lhe é própria - a ser instrumento cada vez mais eficaz de progresso cultural quer para os indivíduos quer para a sociedade. As suas actividades de investigação, portanto, incluirão o estudo dos graves problemas contemporâneos, como a dignidade da vida humana, a promoção da justiça para todos, a qualidade da vida pessoal e familiar, a protecção da natureza, a procura da paz e da estabilidade política, a repartição mais equânime das riquezas do mundo e uma nova ordem económica e política, que sirva melhor a comunidade humana a nível nacional e internacional. A investigação universitária será dirigida a estudar em profundidade as raízes e as causas dos graves problemas do nosso tempo, reservando atenção especial às suas dimensões éticas e religiosas.

Quando for necessário, a Universidade Católica deverá ter a coragem de proclamar verdades incómodas, verdades que não lisonjeiam a opinião pública, mas que no entanto são necessárias para salvaguardar o autêntico bem da sociedade". (João Paulo II, Ex Corde Ecclesiae)




Domingo, Novembro 15, 2009

Sugestão

NB e ZM sugerem: leituras, citaçoes, novidades

Percurso Moleskine "Talk to me"


[49 pessoas, 4 países]
- 16 Junho: Saída de Madrid.
- 23 Junho: Chegada a Covilhã.
- 20 Julho: Chegada a Charneca da Caparica.
- 29 Setembro: Chegada à Maia.
- 13 Outubro: Chegada a Lisboa.
- 27 Outubro: Chegada ao Porto.
- 12 Novembro: Chegada a Milharado.
Mais informações aqui.

Nova edição

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-2ª f: Ze Maria & 5ª f: Nuno Branco

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Proposta 9 Uma sugestão musical para ouvir-mos neste blog


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