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Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Haverá tempo para ler o post desta semana?

O pack desta quinta-feira terá dois menús, o post (a que já estamos mais que habituados) e uma sugestão musical. Mas, antes disto, uma pequeníssima informação.
Há dias atrás, lançámos a pergunta sobre o formato de publicação de textos neste blog. Pela caixa de comentários chegou-nos o desejo de manter a regularidade das segundas e quintas-feiras; mas através da votação, apareceu o desejo contrário: maior espontaneidade.
Depois de conversarmos sobre o assunto, pareceu-nos que por agora a melhor opção seria acrescentar maior espontaneidade ao blog sem que isso pudesse retirar a presença desejável para os dois dias da semana. Portanto, já sabem sempre que possível, estaremos por cá para abrir e fechar a semana e ao mesmo tempo, haverá oportunidade para escrever fora de horas, quando a necessidade e a inspiração assim nos pedirem.
Sem mais demora, avanço para o artigo desta semana. :)
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Nestes últimos dias tenho me dado conta, que os dias gozam de uma especial rotina. Não é necessário entrar em pormenores para descrevê-los, mas pode acontecer a sensação de alguma repetição. Chamo-lhe quinta-feira, mas se dissesse segunda-feira, a diferença seria pouca. Foram quase, quase iguais.
A rotina, que muitas vezes não depende de nós alterá-la, pode dar-nos alguma segurança por sabermos que estamos a fazer aquilo que deve ser feito ou que estamos a cumprir os compromissos posto numa agenda de trabalho. Claro que há variantes, mas parece que no essencial houve repetição.
Tenho especial admiração pelas pessoas que vivem fora do tempo. Eu explico. Não me refiro agora àquelas pessoas meio lunáticas que vivem ausentes e distraídas. Por elas também vai o meu apreço sincero. Digo-o com verdade. Mas, agora refiro-me àquelas pessoas que vivem disponíveis. Que são capazes de mexer nos seus programas e nas suas ideias, para estar e viver por dentro momentos de diferença e de novidade que podem trazer consigo a mudança de um hábito ou de um costume. Falo de uma alteração no horário, mas também na alteração de uma ideia que uma pessoa sempre trouxe consigo.
Perguntando-me pelo segredo das pessoas capazes de disponibilidade, acredito que em grande parte se justifica por serem pessoas de oração. De facto, rezar é a experiência do tempo perdido. É perder o meu tempo, sair fora do ritmo produtivo e capitalista do dia, onde a alma está no segredo dos negócios, para entrar na ausência do tempo e da acção. Na oração, o tempo não produz nada, nem deve produzir. E penso que é por isto que se reza pouco. Parece-me que a falta de tempo não chega a ser razão. E portanto, ela apresenta-se de tal maneira como tempo perdido e ineficaz que não resistimos em regressar à nossa agenda, ao lugar da produção.

É curiosamente, a oração que é capaz de encher uma agenda, mas pondo cada tarefa no seu lugar.

Talvez fique este exercício de rezar com Deus, diante da nossa agenda.

Sugestão musical

Entretanto, deixo-vos no final desta semana com um música que dispõe bem, deste nova banda. Bom proveito!

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Trazer à memória, cumprir o futuro

Foto Patrick Chauvel-SYGMA


Passam hoje vinte anos que seis Jesuítas, uma trabalhadora da sua residência e a sua filha foram assassinados em El Salvador na Universidade Centro Americana (UCA). O desproporcionado número de forças mobilizadas para este assassinato espelha a irracionalidade de um acto que não pode ser isolado de um contexto de violência em que tantos outros foram martirizados.

A arma destes mártires foi a palavra, o estudo e ensino, foi a capacidade que tiveram de "olhar para além dos muros da universidade"(Rodolfo Cardenal, sj) e de servirem os injustiçados e oprimidos. Fieis aos crucificados do seu povo levaram a sua entrega até às últimas consequências. A sua morte acabou por ser determinante para o processo de paz.

Nenhuma palavra é fiel à grandeza de quem soube fazer da Teologia e da Universidade verdadeiro serviço aos mais pobres. Mas podemos sempre, ao trazer à memória o testemunho destes mártires, agradecer a importância da Teologia da Libertação e aproveitar para nos perguntarmos a quem queremos servir. Particularmente no dia em que passam 20 anos em que uma universidade católica foi palco de um martírio, podemos perguntar a quem como educadores, professores, investigadores, alunos, queremos servir. O que vemos para lá dos muros das nossas escolas, universidades, casas e instituições?


"A Universidade Católica, a par de qualquer outra Universidade, está inserida na sociedade humana. Para a realização do seu serviço à Igreja, ela é solicitada - sempre no âmbito da competência que lhe é própria - a ser instrumento cada vez mais eficaz de progresso cultural quer para os indivíduos quer para a sociedade. As suas actividades de investigação, portanto, incluirão o estudo dos graves problemas contemporâneos, como a dignidade da vida humana, a promoção da justiça para todos, a qualidade da vida pessoal e familiar, a protecção da natureza, a procura da paz e da estabilidade política, a repartição mais equânime das riquezas do mundo e uma nova ordem económica e política, que sirva melhor a comunidade humana a nível nacional e internacional. A investigação universitária será dirigida a estudar em profundidade as raízes e as causas dos graves problemas do nosso tempo, reservando atenção especial às suas dimensões éticas e religiosas.

Quando for necessário, a Universidade Católica deverá ter a coragem de proclamar verdades incómodas, verdades que não lisonjeiam a opinião pública, mas que no entanto são necessárias para salvaguardar o autêntico bem da sociedade". (João Paulo II, Ex Corde Ecclesiae)




Domingo, Novembro 15, 2009

Sugestão

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

E mandar Deus dar uma volta?

Não se trata de nenhum jogo de palavras, de dar uma volta com Deus ou que Deus nos dê a volta, mas de lhe dizer o que se vive.
Mas, antes disso parece-me importante recordar que a experiência da fé, tem de necessariamente passar por uma experiência de relação, individual e comunitária, com Deus. Não é uma ideia nem muito menos uma norma que motiva o desejo de aderir a alguém. Há sempre uma vida por de trás de um acto de confiança. Ter fé, significa essencialmente, dar crédito, dar credibilidade a alguém. Neste caso, com Deus.
Ora, se se trata de uma relação na qual eu me envolvo e me entrego, poderíamos primeiro pensar na maneira como nos relacionamos entre nós e a partir daí, com o devido respeito, observar como aconteceria numa relação, não como uma pessoa humana, mas com Deus.
Dependendo da pessoa e da circunstância em que nos encontramos, assim é o nosso modo de relação. Posso brincar com as bochechas do meu avó na sala de estar da nossa casa, mas já não o faria, se tivéssemos os dois a assistir a uma conferência no auditório municipal de Sintra. Isto é óbvio. Embora haja pessoas com quais, independentemente da circunstância, não haja confiança suficiente para relacionar-me com elas de forma tão próxima. Por exemplo, estejamos ou estivermos, eu nunca poderei puxar as barbas e fazer cafunés ao reitor da minha faculdade. Soava a muito mais do que mera falta de respeito.
A confiança gera diferentes graus de relação. Não significa que dê mais crédito ao meu avô do que ao reitor da minha faculdade, mas de facto existe uma diferença na relação de confiança.
Bem, e com Deus que tem tanto de proximidade, de confiança, de presença profunda como de autoridade divina e transcendente? Posso ao menos brincar com as barbas d’Ele? Até aonde é que vai a relação de respeito sem que isso nos roube a proximidade?
Não sei responder. Sei que com Deus, a relação será uma experiência de fé e de confiança, quanto mais verdadeiro for diante de Ele. E ser verdadeiro, pode significar que um dia lhe diga “a minha vida só tem lugar em ti”, como num outro dia possa sair um “vai te embora e não me chateies”.
Mas, não será ofensivo dirigirmo-nos assim a Deus? Depende. Depende, da circunstância em que nos encontramos. Na verdade, quando nos encontramos em sofrimento ou na desilusão, a pessoa não pode deixar-se de afectar pelo que vive. E a experiência da fé também vive de momentos de revolta e sem sentido. O coração não contém o grito da dor e precisa de gritar, de falar desde a sua mais profunda genuinidade. E talvez, nesses momentos, em que o coração se despe de floreados e diz “vai dar uma volta”, a pessoa experimenta um grau de verdade profunda porque não escondeu e entregou-se como está e como é a Deus.
Portanto, estou convencido que numa relação genuína com Deus, terá de existir ocasião e lugar para que possa ser profundamente verdadeiro, mesmo que isso implique alegrar-me ou chatear-me com Deus. Caso contrário, não estaria diante de um Deus de relação, mas diante de uma norma e de uma lei que me pune.

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Por quem Deus nos manda avisar

Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009, o texto no Toques de Deus estava publicado há algumas horas. Logo ao começar o dia dou conta que alguém não fez o que devia ter feito. Fico irritado, cheio de mau humor. Interiormente, zero de esforço para tentar entender o que estaria na origem daquela falha. Julgamento imediato, sem direito a recurso. Olho-me no espelho. Lembro-me do post que escrevera aqui há apenas algumas horas. Rio-me de mim. Tentei ainda uma graçola com o Senhor: "Tens a certeza que queres que eu seja padre?". Não me respondeu.

Lembro-me de desde relativamente pequeno ter gosto em afirmar: "os padres são pessoas como as outras". Não sei se realmente acreditava no que dizia, mas hoje, a uns meses de ser padre, a frase quase me faz sorrir. "Pessoas como as outras". E poderiam ser outra coisa?

Andava eu quase a sorrir no meio destes meus pensamentos, quando o Nuno resolve lançar uma pergunta: que esperas de um padre? Em mais uma ligeira indisposição interior, pensei de mim para comigo: "Oh Nuno, pá! Que sentido de oportunidade! E deixar-nos descansadinhos, não?" Não! Há alturas em que não vale pena procurar comodidades interiores.

Vieram as respostas e uma ficou a ecoar especialmente: "que sejam profundamente humanos". Profundamente! Sem mais nem menos, 'nem ares muito especiais'. E de facto os padres não são especiais. A pergunta que o Nuno fez é uma ajuda preciosa para nos inspirar à normalidade do serviço, para nos ajudar a compreender melhor os desejos e aspirações dos que connosco são Igreja.

Mas é também uma pergunta que pode ser virada ao contrário para que cada um se pergunte a si mesmo: o que espera de mim a Igreja, como quero ser Igreja, no aqui e agora da minha vida? A caminho de ser padre deixo um pedido aos que aqui passam: não nos deixem fingir poder o que não podemos, não nos deixem a decidir sozinhos o que não nos pertence. Precisamos sempre de reaprender e recordar o que significa partilhar a mesma barca. Vamos juntos. A cada um na sua vocação e missão só se pede que seja "profundamente humano". Profundamente. Sem mais nem menos, nem ares muito especiais.

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Uma pergunta

Estes dias e por razões óbvias, não consigo deixar de pensar naquilo que vou estudando e lendo. Embora, tentando proteger-me e salva guardar uma certa saúde cerebral, porque de facto passam muitas páginas pelas mãos, na verdade sinto que sou afectado pelo que estudo. E interrogo-me sobre quem será Deus.

Não vale a pena fazer aqui um elenco das variadíssimas imagens de Deus que encontramos ao longo da história. Não teria paciência e vocês muito menos. Sinto no entanto, que da resposta que eu der, estará dependente a forma como me situo na vida e na minha relação com as pessoas. E, acredito que isso fará uma enorme diferença.

Numa das tais leituras, fiquei várias vezes sobre a visão que S. Paulo tinha da vida. Por ele que não tinha mais do que uma cordialidade forçada, agora sinto-me curioso por aquilo que deixou escrito. Mas, dizia ele que mais importante que um cumprimento de uma norma ou de um dever, é a graça que se experimenta de uma relação pessoal com Deus. Uma vez que a lei, quando cumprida de forma exímia, poderá ter o sério perigo de endurecer uma pessoa ao ponto de roubar-lhe uma visão limpa e agradecida sobre a vida e sobre os outros. Confesso que ainda não percebi o alcance destas afirmações.

Com tudo isto, que tem tanto de confuso como de leveza, pergunto-me sobre o modo como somos chamados a estar na vida. Por exemplo, que diferença fará entre ter um dia exemplarmente vivido ou ter um dia vivido aos trambolhões. Haverá por aí algum livro de ponto ou uma folha de serviço que vá transformando a minha fidelidade em créditos que reverterão em graus de santidade? Arrumar o quarto, vinte créditos e meio. Rezar sem distracções e em gratuidade, cinquenta créditos. Sorrir sempre, setenta e cinco créditos. Dar conselhos prudentes e discernidos, cento e vinte créditos. Tomar um copo na Latina em Madrid, um crédito e meio.
Como apreciamos e valorizamos o dia diante de Deus? Que importância damos aos momentos, ditos não sagrados? Com que critérios nos vemos?

Mas, gostava de ir mais fundo. Refiro-me concretamente ao modo como propomos a experiência de Deus nos dias de hoje. E de facto, a figura do sacerdote (e não só) desempenha um papel importante neste sentido na medida em que apresenta e propõe a figura de Deus. Sinto que pode existir o perigo de para justificar os momentos do dia, ditos não sagrados, se tenha que dizer “é apostólico”. Um padre numa esplanada a conversar com uma rapariga, terá às vezes de levar uma legenda “conversa espiritual” caso contrário poderá ser mal interpretado tanto pelos fora, como essencialmente para o próprio padre como se ele se sentisse na obrigação de justificar-se. E por aqui, poderíamos falar do modo como estamos, como se tudo tivesse que ter um retorno e um efeito apostólico. E isto pode roubar a gratuidade das relações. Nomeadamente no mundo das relações de um padre.

Curiosamente senti-me motivado pela Igreja quando precisamente senti da parte dela uma relação desinteressada. Ou seja, quando não senti que me queriam vender, subtilmente, um "produto".

E com tudo isto que escrevi de ideias bastante soltas e desordenadas penso no modo como nos situamos e propomos a relação com Deus. Embora tenha dito pouco, gostava de deixar uma interrogação e que podes responder através da caixa de comentários e se preferires de forma anónima, caso te sintas mais à vontade.


Que esperas de um padre?

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

O que tu queres sei eu! Sei mesmo?

O que tu queres sei eu. A frase tem um certo sabor a "chico esperto", alguém que se imagina a si mesmo como muito sabido da vida e impossível de enganar. Bazófias à parte, podemos rir um pouco e sem grande esforço reconhecer que às vezes andamos por aí de "chico espertos".

Atentos e precavidos escrutinamos com uma minúcia apurada as acções dos outros e se alguém se lembra de dizer que a Dona Florentina é a mais simpática lá do trabalho, atiramos com um instinto certeiro: "És mesmo ingénuo. Então não vês que a única coisa que ela quer é ser promovida." Pode ser que a coisa fique por ali, mas também pode ser que, a páginas tantas, a Dona Florentina seja a única que ainda não sabe que quer ser promovida.

Celebrámos ontem todos os santos. E eu lembrava-me como um dos traços de santidade que mais me atrai é a capacidade de confiar nos outros, a capacidade de acreditar na sua bondade. Não deixa de ser curioso que a um homem com a determinação de Pedro Arrupe se lhe tenha chamado ingénuo exactamente pela sua capacidade de confiar sempre nos outros e nas suas boas intenções. E esta sua confiança inspirou tantos e deu tantos frutos...

Compreender a acção humana nem sempre é fácil. Mas precisamos de ser cautelosos à hora de julgar as intenções que dinamizam essa acção. Ao olhar para um gesto de generosidade pode ser que nos soe a falso, podemos ficar a sensação que há ali algo de interesseiro. Mas também podemos ter a humildade de reconhecer que, às vezes, essa sensação está ligada à nossa insegurança, à nossa dificuldade de ser tão generosos ou simpáticos como o outro, está ligada à tendência que podemos ter de projectar nas acções dos outros a ambiguidade das nossas próprias intenções.

Basta pensar como nos sentimos desarmados e abandonados quando alguém coloca em causa a verdade da nossa intenção, para compreender como esta falta de cuidado ao julgar as intenções dos outros pode ser dura e destrutiva. É que a bondade de uma intenção não pode ser provada. Inscrita no mais intimo de cada um só pode ser reconhecida numa relação de confiança. Se não decido fiar-me do outro, ter fé, não serão horas a fio de discussão que serão capazes de converter o meu olhar.

Muitas vezes não sabemos mesmo o que o outro quer, qual o seu desejo mais profundo. Mas sabemos como Jesus confia em cada um de nós e nos convida a reconhecer no outro a imagem de Deus.

NB e ZM sugerem: leituras, citaçoes, novidades

Percurso Moleskine "Talk to me"


[49 pessoas, 4 países]
- 16 Junho: Saída de Madrid.
- 23 Junho: Chegada a Covilhã.
- 20 Julho: Chegada a Charneca da Caparica.
- 29 Setembro: Chegada à Maia.
- 13 Outubro: Chegada a Lisboa.
- 27 Outubro: Chegada ao Porto.
- 12 Novembro: Chegada a Milharado.
Mais informações aqui.

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