O ser humano intui, de maneira estupefacta, uma estranheza na própria criação. Não duvida dela, mas faz-lhe perguntas. Se por um lado se descobre a si mesmo como sinal de novidade ou como promessa que anima a história, por outro observa determinadas fissuras que parecem atrapalhar ou travar, de forma violenta, a grandeza da verdade sonhada. Inteiro por fora, dividido por dentro – experimentamos.
Que imagem teremos nós da criação humana? Ou que imagem trazemos de nós mesmos? Tanto baptizamos a criação como sendo o paraíso ou julgamo-la como anatema merecedora de expulsão. Queremos habitar um imaginário tão real que deixou de ser verdadeiro.
Que sinais precisamos? Que provas procuramos? É este o grande duelo. A vida não é o céu nem o inferno, mas uma terra habitada que aguarda activamente a finalidade definitiva. Porque exigimos – que a vida – tenha que dar o que ela não pode nem deve dar? Porque lhe pedimos que nos dê gestos de eternidade quando ela própria vive limitada?
Estar dividido é viver a fissura própria de uma existência em tensão: amarrada a uma terra que deseja o céu.
E talvez estejamos pouco ou nada reconciliados com esta ou outras tensões. Como se a tensão nos envergonhasse ou fizesse de nós uma velhice de uma criatura pouco amada. Julgo que o maior duelo acontece quando queremos que a história deixe de ser histórica. Sem tensão.
Isto porque quem não vive tenso, desequilibra-se.
O maior duelo de todos os tempos
Posted by
Nuno Branco, sj
on Domingo, Maio 22, 2011
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NB
1 comments:
Como o próprio Hegel, Marx e tantos outros disseram, o ser humano vive a se estranhar. É uma pena isso, pois a essência humana é repleta de bondade. A desconstrução da imagem do homem (que essencialmente é imagem do Criador) tem sido algo muito forte na atualidade. Que Deus tenha piedade desse novo ser "social".
Saudações.
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